30 de novembro de 2010

Ética da Transformação


Segue abaixo uma resenha que fiz à partir da leitura do capítulo 2, Ética da Transformação, do livro Reforma Íntima sem Martírio de Ermance Dufaux e que apresentei no meu curso da Doutrina Espírita no ano passado. As aulas foram fundamentais no meu crescimento pessoal, auto conhecimento e início da reforma íntima. E eu devo muito à minha orientadora Sonia Maria Geraldes do Grupo Espírita "Os Peregrinos".

Na minha opinião, quem não acredita na mudança do outro não tem condições de acreditar em si mesmo.

 
“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral (...)”
O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII – item 4

A palavra Ética é originada do grego ethos, (modo de ser, caráter) através do latim mos (ou no plural mores) (costumes, de onde se derivou a palavra moral.). Em Filosofia, Ética significa o que é bom para o indivíduo e para a sociedade, e seu estudo contribui para estabelecer a natureza de deveres no relacionamento indivíduo - sociedade.
Define-se Moral como um conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que norteiam o comportamento do indivíduo no seu grupo social. Moral e ética não devem ser confundidos: enquanto a moral é normativa, a ética é teórica, e buscando explicar e justificar os costumes de uma determinada sociedade, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Porém, deve-se deixar claro que etimologicamente "ética" e "moral" são expressões sinônimas, sendo a primeira de origem grega, enquanto a segunda é sua tradução para o latim.
Tanto “ethos” (caráter) como “mos” (costume) indicam um tipo de comportamento propriamente humano que não é natural, o homem não nasce com ele como se fosse um instinto, mas que é “adquirido ou conquistado por hábito” . Portanto, ética e moral, pela própria etimologia, diz respeito a uma realidade humana que é construída histórica e socialmente a partir das relações coletivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem. (Fonte, Wikipédia)

Reforma Íntima é processual, obedece a uma sequência. Caráter, temperamento, valores, vícios, hábitos e desejos são alguns caracteres que podem ser reformados ou aprimorados.

O que impede, dificulta a mudança e o crescimento? É o interesse pessoal, vícios do ego repetidos durante várias existências e que cristalizaram a mente.

A Reforma Íntima é a libertação do “império do eu”. Atender os nossos desejos e aspirações pessoais nos levou a escravização. Negar a si mesmo, esvaziar-se de si, tirar a máscara é o objetivo maior da Reforma Íntima e o grande desafio a ser seguido pelos que optam pela Doutrina Espírita.

Meio prático e eficaz de conseguir a reeducação de nossa personalidade manhosa e egoísta: o auto conhecimento. O auto conhecimento é um mapa de como chegar ao “eu verdadeiro”, à consciência. Mas esse processo não pode ser feito apenas com o mapa, necessita de suprimentos morais preventivos e fortalecedores, necessita de uma ética de paz consigo próprio. Não basta apenas se conhecer, é necessário se aceitar, caso contrário cairemos sempre nas perigosas ameaças de culpa, auto punição e baixa auto-estima, causando o martírio. É preciso uma ética que assegure que essa transformação pessoal tenha um resultado libertador de saúde e harmonia interior.
“Tomar posse da verdade sobre si mesmo é um ato muito doloroso para a maioria das criaturas.”

E a Doutrina Espírita é inesgotável manancial no alcance desse objetivo por causa de seu conteúdo moral.

A prática essencial e meta fundamental dos Bons Espíritos são a melhora da humanidade, a formação do homem de bem. Os recursos didáticos da Doutrina são para aprendizado do Amor - finalidade maior de nossa causa. Na falta do amor, todos os recursos perdem seu sentido divino e primordial. Fica evidente a urgência da edificação de laços de afeto nos grupos humanos para a fixação das mensagens do Evangelho e do bem universal.
“Afeto é a seiva vitalizadora dos processos relacionais e o construtor de sentidos nobres para a existência dos homens.”

Comportamentos que serão efetivos roteiros de apoio no processo auto transformador:

1)      Postura de Aprendiz – nunca perder o interesse pelo novo, pelo desconhecido. Nunca perder a curiosidade, pois sempre há algo novo para aprender.
2)      Observação de si mesmo – é o estudo de nosso mundo, nossas emoções, não julgamento e auto-avaliação constante.
3)      Renúncia – mudança íntima requer mudança de ambientes e costumes, opiniões pessoais, valores institucionais. Deixar o orgulho de lado.
4)      Aceitação da sombra – aceitar a nossa realidade, não destruir o que fomos e sim dar nova direção ao que conquistamos, inclusive aos erros.
5)      Auto perdão – a aceitação, para ser plena, precisa do perdão. Recomeço é a palavra de ordem para a transformação pessoal.
6)      Cumplicidade com a decisão de crescer – crescimento exige devoção, é serviço diário, onde estivermos. Assumir seriamente o compromisso de mudança, pois somente com severidade e muita disciplina vamos construir o homem novo.
7)      Vigilância – cuidar da vida mental, higiene dos pensamentos, hábito de boas leituras, conversas e ações sociais.
8)      Oração – é a terapia da mente. É a través da oração que despertamos na intimidade forças nobres que se encontram adormecidas.
9)      Trabalho – “toda ocupação útil é trabalho”
10)   Tolerância – Há tempo para tudo e tudo tem seu momento
11)  Amor incondicional – o auto-amor é o maior desafio de quem assume o compromisso da reforma íntima, pois temos uma tendência a desgostar da nossa história.
12)  Socialização – o contato com outras pessoas é um remédio contra o personalismo e a vaidade. É um treinamento para aquisição de novos impulsos.
13)  Caridade – abençoada escola de afeto e revitalização dos ensinamentos espíritas
 
Verificamos um exemplo de rara beleza e oportunidade que servirá como diretriz segura para a “despersonificação” dos servidores do Cristo, na obra do amor: Ananias, o apóstolo chamado para curar os olhos do Doutor de Tarso. Quando o Mestre o chama pelo nome, o colaborador humilde, com prontidão e livre dos interesses pessoais, responde sadiamente: “Eis-me aqui Senhor!”
O nome dessa virtude no dicionário cristão é disponibilidade para servir e aprender, o programa ético mais completo e eficaz para quantos desejam a auto-iluminação.

2 comentários:

Gabriel disse...

Oi Ana!
Não conheço nenhuma pessoa que tenha colocado em prática(prática mesmo!) todas coisas que a gente aprende e lê sobre amor, paciência, perdão, humildade, prseverança e fé como você!
Parabéns e Coragem pra continuar a longa caminhada!
Bj

Ana Paula Britto disse...

(com lagriminhas nos olhos...)
Oi Lu!
Você sabe que tem uma participação muito especial nisso tudo.
Muito obrigada, sempre!
Beijo