26 de janeiro de 2010

Estamos todos juntos


Tenho recebido algumas informações e solicitações de ajuda por e-mail, blog e twitter. São desabrigados, vítimas de enchente, famílias sem recurso, enfim, necessidades de todo tipo.
E eu sempre fico pensando em como está a vida das pessoas que prestam qualquer tipo de ajuda. Será que elas estão salvas? Será que elas estão fortalecidas? Será que quem ajuda não precisa de ajuda também? E me lembrei de um trecho de um livro que li recentemente:

Uma vida limitada ao "eu" é realmente limitada. Mas os budistas ensinam que devemos nos ajudar antes de ajudar os outros. Por quê? Porque não conseguimos ajudar ninguém se não estamos bem. Até as companhias de aviação falam isso antes da decolagem, durante as instruções de segurança (aquelas que ninguém ouve). Os comissários de bordo dizem: "Em caso de queda de pressão da cabine, máscaras de oxigênio irão cair do compartimento acima. Certifique-se de colocá-las antes de ajudar os demais."

Aceite que você irá morrer tão rápido quanto qualquer um, não seja inocente em acreditar que você é melhor que os outros. Na vida, o aviso seria: "No caso de perda total de rumo de vida, certifique-se de colocar em ordem suas coisas antes de começar a dizer aos outros o que eles devem fazer." (adorei esse parágrafo!!!)

Essa é uma ilusão comum. Inclusive, tenho um exemplo em mente: Margaret trabalhava com desabrigados e passava muitas horas no abrigo colocando em ordem a vida das pessoas e dizendo o que elas deveriam fazer. Ela sabia onde encontrar comida e quem escolher para organizar as tarefas. No fim do dia, ia para casa, jogava-se em uma cadeira e bebia um uísque bem forte.

Fora do abrigo, a vida dela era um vazio. Ela conseguia ajudar as pessoas de modo prático, mas não conseguia ajudá-las (nem a si mesma) espiritual e emocionalmente. Margaret estava tão perdida e infeliz quanto aquelas pessoas; sua auto-estima estava ligada às coisas que "fazia", não ao que "era". Portanto, quando parava o que estava "fazendo", restava apenas o sentimento vazio, e ela ficava mal rapidamente; para lidar com isso, bebia. O problema estava no fato de ela se enxergar como sendo melhor do que aquelas pessoas em algum sentido; assim, se mantinha distante. No entanto, bem na frente dela, estava a salvação: se tivesse olhado ao redor e aberto a mente, perceberia que muitas pessoas no abrigo faziam de tudo para ajudá-la. Ela estava morrendo sufocada, pedindo para as pessoas colocarem as máscaras, sendo que não colocava a dela antes. Longe de mim falar que Margaret deveria parar de trabalhar com desabrigados; o que estou dizendo é que estamos todos juntos. No fim do dia, ninguém é melhor ou pior do que ninguém, somos todos iguais.

(do livro Não viva pela metade - Siga os desejos do seu coração, de A.C.Ping)

2 comentários:

Renata disse...

Ana adorei o texto,fiz meu blog faz pouco tempo ainda to aprendendo farei outras visitas bjs uma nova amiga (Renata).

Ana Paula Britto disse...

Olá Renata, tudo bem?
Bem vinda nova amiga!! Já fui visitar o seu blog e gostei muito.
Até mais...Um beijo, Ana Paula